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A história do Angico: quando a roça virou casa, experiência e propósito

  • Foto do escritor: Lúcia Emíllia
    Lúcia Emíllia
  • há 6 dias
  • 4 min de leitura

O Angico não nasceu da ideia de criar apenas um hotel fazenda. Ele nasceu de uma escolha de vida — minha e do Diego. Uma escolha por desacelerar, por viver de forma mais simples e por criar um lugar onde o tempo pudesse ser vivido com mais presença. Antes de existir como hospedagem, o Angico já existia como refúgio, como acolhimento e como um espaço onde a vida acontecia sem pressa.

Espaço onde hoje fica localizado os quartos Angico Varanda
Espaço onde hoje fica localizado os quartos Angico Varanda

A Fazenda Angico Branco carrega história há mais de um século. No início dos anos 1920, a propriedade funcionava como venda, ponto de parada e convivência da região. Décadas depois, em um dos períodos mais delicados da história do país, chegou a servir de abrigo para um general do Exército Brasileiro durante o regime militar de 1964. Já nos anos 1980, a casa viveu outro tempo: foi residência do músico Renato Rocha, baixista da banda Legião Urbana. Em diferentes épocas, o Angico sempre foi isso — um lugar de passagem, silêncio e refúgio.

Com o passar dos anos, o espaço ficou adormecido, até que nós o encontramos. Em dezembro de 2011, compramos a propriedade movidos pelo desejo de morar no campo e viver em um ritmo mais verdadeiro. Naquele momento, não existia a ideia de abrir um hotel. Existia apenas a vontade de transformar aquele lugar na nossa casa.

Vivendo ali, começamos a cultivar a terra e a criar tilápias no lago da fazenda. Dessa rotina nasceu, de forma muito natural, um restaurante simples, onde servíamos pratos preparados com a própria tilápia criada ali.





O restaurante nunca foi pensado como um negócio em si, mas como uma extensão da nossa casa. As pessoas vinham para comer, conversar, passar a tarde e ver o pôr do sol. E o que mais nos diziam não era apenas sobre a comida, mas sobre a fazenda, o clima do lugar e a forma como eram recebidas.

Aos poucos, percebemos que o Angico já era uma experiência antes mesmo de se tornar hotel. As pessoas queriam ficar mais tempo, voltar, trazer amigos. Gostavam do jeito simples, do cuidado, da presença. Foi nesse movimento natural que entendemos que aquele refúgio poderia acolher outras famílias.



Obra para a criação do Restaurante na Ala Angico Branco
Obra para a criação do Restaurante na Ala Angico Branco

Em dezembro de 2016, o Angico nasceu oficialmente como hotel fazenda. Não como um projeto criado para impressionar, mas como uma continuidade do que já vivíamos ali todos os dias. A casa virou hospedagem. O acolhimento virou proposta. O cuidado virou essência.

Nossas filhas nasceram em 2017 e 2019, enquanto ainda morávamos dentro do próprio Angico. A fazenda foi cenário da maternidade, da rotina, dos aprendizados e das descobertas. E foi vivendo ali, com elas, que muitas das escolhas do Angico ganharam ainda mais clareza.

Desde então, uma pergunta passou a guiar tudo o que criamos aqui: é assim que gostaríamos de ser recebidos em um hotel com nossas filhas? Essa pergunta nunca saiu do centro das nossas decisões.



As experiências da roça, o contato com os animais, o tempo no lago, o piquenique no mirante, tudo nasceu do nosso próprio dia a dia. Eram práticas vividas por mim e pelo Diego na rotina da fazenda: tirar o leite direto da vaca, acordar cedo para passar o café no fogão a lenha, sentar sem pressa para apreciar o pôr do sol, subir o morro a pé, nadar no lago. Nada disso foi pensado para entreter, ocupar ou distrair, mas para viver com presença.

A roça nunca foi cenário no Angico. Ela é essência. E fazemos questão de mantê-la verdadeira, sem descaracterizar, porque é justamente isso que mais valorizamos: a simplicidade real, o ritmo do campo e o silêncio que ensina sem precisar explicar. Foi essa rotina, vivida por nós como família, que sonhamos em compartilhar com nossos hóspedes.

A recreação familiar nasceu desse mesmo princípio. Nunca fez sentido, para nós, separar pais e filhos em momentos que poderiam ser vividos juntos. Acreditamos que as memórias mais fortes são construídas quando a família compartilha o mesmo espaço, o mesmo ritmo e o mesmo tempo.


Maria Alice, a primeira Angiquinha e sua paixão por sapos
Maria Alice, a primeira Angiquinha e sua paixão por sapos
Registros na Fazendinha
Registros na Fazendinha

Ao longo do caminho, escolhemos fazer diferente, e isso nunca foi o caminho mais fácil. Crescer sem perder a essência, evoluir sem virar algo que não somos, profissionalizar sem engessar exige constância e coragem. Muitas vezes, exige dizer não. Mas cada decisão sempre passa pelo mesmo filtro: isso continua verdadeiro para a nossa família?

Antes de oferecer qualquer experiência ao hóspede, ela precisa fazer sentido para nós, para a nossa casa e para a forma como escolhemos viver. O Angico é, antes de tudo, o lugar onde eu gostaria de estar com minhas filhas. Talvez seja exatamente por isso que tantas outras famílias se sintam em casa aqui.

Hoje, o Angico é um refúgio para quem sente que a vida anda rápida demais. Para quem quer sair do automático, respirar fundo e lembrar do que é essencial. Um lugar onde o dia termina com pôr do sol, onde o tempo desacelera e onde as memórias não são feitas de pressa, mas de presença.

Tudo o que construímos aqui carrega amor, cuidado e intenção. Porque quando algo é feito com verdade, ele atravessa o tempo. E o Angico, de alguma forma, sempre atravessou.


Angico Hotel Fazenda — hotel fazenda de experiências, ideal para famílias com crianças, em Piraí, interior do Rio de Janeiro.

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